segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Mundo em Guerra Parte 7 - Amanhecer




Essa foi uma das noites mais longas da minha vida
Não preguei os olhos em meio ao caos que me inundou
Eu cheguei a acreditar que não teria jeito
Que veria o fim,
Sentei, chorei
Esperei pelo pior.
O sorriso me fugiu do rosto
A alegria naquela longa noite abandonou meu coração
Mas no fundo eu esperava encontrar a minha maneira
Mas era difícil não esperar pelo pior.
Então eu tive medo.
Medo de pisar no chão
Medo de respirar um ar que não fosse o seu
Medo de olhar para olhos que não fossem verdadeiros como os seus são
Medo de viver toda a minha vida em vão.
Pensamentos vem e vão, mas nessa noite os minutos não.
Eles ficaram, mas não queriam me fazer companhia
Queriam me castigar, meu pecado?
Incompreensão.
Mas eu jamais desisti, mandei muitas cartas 
Elas viajavam pelo céu e invadiam os seus sonhos
Não te deixaram em paz.
Você se cansou e me chamou para a batalha derradeira
Eu subi a ladeira,
Peguei o bonde com a minha melhor roupa
E meu coração na mão, era véspera de Natal.
Eu chorei ao pedir perdão, jamais imaginei que poderia te perder.
Você estava com os olhos e a alma exaustos, de mim?
Não, de tudo. Inclusive de mim.
Então, quando tudo pareceu terminar, veio aquele sinal do céu.
Um sinalizador explodiu ao nosso lado, te deixou surda, você parou de ouvir o mundo e passou a ouvir o seu coração, ele dizia que eu não era perfeito, ele disse que eu sou Eu.
Eu disse que eu sou seu!
Enfim, tudo recomeçou sem ter terminado,
Amanheceu.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Mundo em Guerra Parte 6 - Vida (Vida Parte 6)





Ainda que eu ande no vale da sombra da morte
Quando nem pensei em caminhar  em qualquer direção.
Você foi o meu Norte, me sobreveio aquela sensação
De que me vale qualquer lição sobre morte?
Me deixe viver sem pequenos espasmos de felicidade
Quando me invades com seus estalos de amizade
Globalizadamente inefiazmente fadado a maldita sorte
Comendo migalhas de seres mortos
Empunhando alguns potes
Buscando enchê-los da misericordia dos marinheiros nos portos
Quando não tive paciência me enchestes da primazia
Quando não sonhei me levastes a terra da fantasia
Onde a mentira e desigualdade não existiam
Onde os seres eram mais que humanos
Não passavam nem perto de serem mundanos
Não eram Gregos ou Espartanos.
Eram iguais e sem mediocridade
E eu não me senti farto de dias, nem de idade.
Convivi com naturalidade naquele jardim que me pusestes
Gigante de feitos me fizestes
Sou homem, quero assim ser terno e não eterno.
Quero ir contra a ociosidade, quero felicidade
Que por consequência do seu amor,
Venha naturalmente a minha existência a Eternidade.

"Especialmente a vida dos meus irmãos o casal Dego e Solange que se foram no dia 11/11/11, em um acidente de carro. Foram grandes pessoas, ajudaram a chegar a ser a pessoa que sou hoje, não eram parentes, eram amigos, amigos nós escolhemos e eu me sinto abençoado por Deus por terem feito parte da minha vida. Me sinto obrigado a ajudar na vida dos seus três filhos que ficaram, Milena de 16, Aninha de 12 e Juninho de 11 anos. Somos um com Jesus meus irmãozinhos, seus pais estão com o Papai do céu."



quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Mundo em Guerra Parte 5 - Quando eu me fiz presente



São lindos os dias que foram se sucedendo, eu a pedi em namoro, 
ela relutou em me aceitar, tempo não era exatamente o que tínhamos ao nosso lado, mas eu insisti e hoje temos estado. 
Estado juntos como casal, então, namoramos, passeamos, comemos, rimos, nos amamos, somos o casal mais lindo do mundo, seus pais me querem bem, sabem que da sua filha eu só quero o melhor. 

Ontem eu a surpreendi, quando tirei um papel amassado do meu bolso
na hora da despedida, um poema de amor para a minha prometida, eu lhe disse enquanto estava de saída:

Quando eu me fiz presente, te dei por presente um sinal, de vida e de sorte,
Olhando sem direção correta, mirando com a minha flecha mágica para o céu,
Me fazendo de réu de uma justiça que se tem por complicada, maldita justiça que de justa não tem nada.
Empunhando a minha espada eu corri em direção ao penhasco da fronteira
 desesperada esperando pela esperança e mais nada.
Lá estava você, parada, naquele momento eu sei que já não pensava em mais nada. 
Quando eu me fiz presente, te prometi jamais fugir de você, prometi não ter medo, eu sei que é cedo mas tudo o que eu não tenho no mundo é medo. 
E eu quero que todo mundo saiba do nosso amor, pra que eu guardaria segredo? 
Se tenho ao meu lado um anjo que caiu do céu, que me fez réu na masmorra, que morre de medo que eu corra, ou que eu morra, eu te digo com todas as palavras que eu não morro, sou eterno, como meu amor por você, um dia me apareceu sem querer por mim tem todo esse poder, você é o meu ser, o meu saber e o meu estar, ou melhor, o meu estarei, porque eu prometo que sendo mortal, pra sempre te amarei.

(Continua)

sábado, 3 de setembro de 2011

Mundo em Guerra Parte 4 - Naquela Tarde


Ontem eu resolvi passear, sei lá me senti só, faltava algo. Longe de mim reclamar, mas algo palpitava dentro de mim, talvez fosse eu mesmo buscando algo novo. Andei só, o sol ainda brilhava naquele fim de tarde quando a lua se mostrou, cheia de poder, encantadora. São raros os momentos em que esses dois se encontram, também havia algo pesado e leve no ar ao mesmo tempo, pesados eram os milhões de pensamentos que me cercavam, leves eram os motivos que me levavam a lugar algum, naquela tarde.

Naquela tarde eu resolvi sair pra me encontrar

Não sei pelo que busquei, naquela tarde.

Naquela tarde os pássaros cantarolavam felizes.

Eu vivi, naquela tarde.

Naquela tarde meus medos se encontraram com a minha coragem.

Ainda por cima, eu corri, naquela tarde.

Naquela tarde eu reví aquele anjo.

Ele estava parado no cais, com os pés descalços na água, naquela tarde.

Naquela tarde aquele anjo resolveu deixar de lado sua santidade.

Eu que paralisado estava pela ansiedade, venci meu medo e revelei minha identidade.
Naquela tarde eu disse: Oi?

Com um sorriso congelador de estômago ela respondeu: Olá 
 Naquela tarde.


Sabem aquela paz que tanto procuramos? As vezes sinto que a humanidade anda a vida toda com perguntas engasgadas em busca de respostas, é estranho no mínimo, incrível pra mim, como naquela tarde eu encontrei uma resposta. Anjos não andam esmagando a terra feito meros mortais, aquele ser não era um anjo, era uma menina normal, simpática e inteligente. Descendente de Poloneses, sua família acabara de chegar na cidade, seu pai era comerciante e a pedido de conhecidos veio tentar melhores oportunidades na região. Seu nome é Juliana, que significa, a que pertence a Júlio. Mas eu estava disposto a mudar toda a história Romana para fazer a Juliana pertencer ao Denis, e aquele sorriso não pareceu impor alguma resistência.
 A conversa se estendeu por algumas horas, ela disse que precisava ir embora, então me ofereci pra levá-la até o portão de sua casa, já havia escurecido e nos guiamos pela luz fantástica de uma lua, cheia, e eu cheio de perguntas a fazer, de respostas a responder, quando chegou a hora de se despedir, a mãe dela estava no quintal quando chegamos, muito simpática quando ela nos apresentou, parece ser uma ótima família. Mas é óbvio que eu não me prolonguei na conversa, não quis ser inconveniente, me despedi e fui para a minha casa, parece que ela deixou o seu poder comigo, porque eu fui flutuando pelo caminho, só pensando nela, pensava em como fazer ser minha.
As vezes em um segundo a sua vida pode mudar, desde o primeiro momento em que a vi, momento que ela também me encarou, soube que ali havia algo de diferente, não posso prever meu futuro,
 mas posso escolher o caminho em que ando.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Mundo em Guerra Parte 3 - Rumores



Cheguei em casa meio tarde naquele dia, meus pais estavam sentados com as faces péssimas, ouviam as notícias pelo rádio, que dizia:

“O mundo irmãos Americanos, não é mais o mesmo. Durante o dia de hoje tivemos notícias de que soldados Alemães invadiram a Checoslováquia logo após o acordo assinado em 29 de setembro do ano de 1938, tratado chamado de acordo de Munique, pelos assinantes (França, Reino Unido e Alemanha), mas ouve-se na Checoslováquia como ‘A traição de Munique’. Enfim, as notícias que vêm da Europa não são nada animadoras, os políticos temem o crescimento do poderio bélico germânico, mas atônitos não fazem nada para impedí-los. Passados vinte anos da guerra que devastou a sua terra, as suas vidas, outros ditadores crescem pela força, influenciando outros, impondo-os pressão diplomática e também de aço de guerra.
A alemanhã invadiu o sudeto, a França e o Reino Unido apenas assistiram, está saltando aos olhos que um adversário poderoso move as peças do xadres a fim de conquistar algo, algo que pode ser doloroso e destrutivo se as autoridades mundiais tardarem em agir em prol de manter a paz e a justiça no mundo.”

Ouvi a todo aquele turbilhão de notícias, vários indícios de que os homens querem mais guerras, mais fome, mais nudez, mas tribulações. Meus pais nada disseram sobre o assunto, mas eu vi a tristeza em seus rostos, eles que já foram expostos a dor da guerra, meu pai serviu na primeira guerra, tomou um tiro e foi salvo pelos companheiros, mas não sei nada além disso, ele nunca conversa sobre o assunto, também nem precisa, eu posso ver em seus olhos muito do que ela representou em sua vida, as marcas que vão além da cicatriz, as marcas que estão em sua alma, quando já o vi chorando em um dia que parecia normal, dia que pra ele deve ter sido marcado por tudo o que representou aquela maldita guerra, agora de novo, será? Tudo tão diferente, mas a humanidade parece tão igual, dinheiro e poder, dinheiro pra poder ter.
(Continua)

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Mundo em Guerra Parte 2 - Anjo




Eu ainda não sei porque vivo nesse mundo, mas gosto da minha vida. Tenho o que preciso, e não busco com insensatez ácidas coisas que não são para o meu bem. Posso falar do meu bem também, lembro bem do dia em que a conheci, eu fui com meu pai fazer uma entrega de um armário que ficou pronto, estava bem distraído quando a ví, caminhando do por sobre um terreno repleto de flores amarelas, não sei se andava devagar ou meu coração que quase parou, logo eu que sempre duvidava das cenas românticas que via no cinema, mas os cabelos dela realmente dançavam com o vento, ela me olhava, mas não me pareceu um olhar insinuante, não pareceu que prestou tanta atenção em mim quanto eu prestei atenção naqueles olhos, azuis como um oceano, e eu quase me afoguei quando tomei um tapa na cabeça, meu pai mandando mais uma vez eu fazer o meu trabalho. Quando terminamos a entrega tive esperança, desci da casa dos Hilton e olhei pela vizinhança com esperança de vê-la novamente, não a ví por ali, mas algo pulsava dentro de mim, eu não era mais adolescente pra me apaixonar errante pela rua, a cada menina linda que me aparecia, mas essa pareceu diferente, não me esboçou sorriso quando sorri pra ela, permanesceu intácta, não pareceu me olhar, pareceu me encarar. Chegamos em casa e logo meu pai contou o ocorrido para a mãe, em pleno jantar, me pareceu estranho porque ele fingiu que não percebeu a minha cara de bobo, fiquei desconcertado. A mãe disse que gostou da idéia (?). Afinal, qual idéia? (Sabe quando os pais acham que tudo já aconteceu, quando na verdade você não fez absolutamente nada, além de olhar para um anjo na rua, é claro.) Eu acordei embriagado pelo sono, anestesiado pelo sonho, sonhei com ela, ela quem? Aquele lindo anjo que flutuava por sobre as flores.
Fui trabalhar tentando não pensar demais, mas com medo, sinceramente, não sabia nada sobre ela, somente sabia que ela não era daqui. (Daqui onde? Dessa cidade? Não, desse mundo.)
(Continua)