segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Ainda no caminho

Escrevia algumas linhas tortas e
lançava pelo caminho da
ilusão na qual se metia
Infundado em vãs teorias sobre
um futuro esquecido
 sempre buscou algo que possa ter a
luz do orvalho de um
amanhecer incontido
Solitário foi o vento que
batia em telhados feito
gotas cristalinas
era firme e cinzento seu espírito
lamentava escritas alegres aos cantos em
lugares conhecidos jamais vistos
Levantou-se a fronte e se moveu em direção ao
passado que libertaria
sua mente cativa das entranhas
do seco oceano
salvo engano havia uma calma
tempestade rodeando o centro das
expectativas que não se esperam
mas confia em sua força de
deixar acumular incertezas a respeito de coisas que
não sabe e no momento
resta não saber.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Algo sobre a vida

Um toque, sem choro e sem muitas surpresas
Porque era esperado aquele toque
Aquelas mãos
Hoje esse sorriso
Uma vida
É uma descoberta, com certeza
Não existe manual pra ser pai
Não tem como explicar também.
Por muito tempo eu escrevi nesse espaço, coisas que sentia e acredito e além disso tudo, queria colocar pra fora de alguma forma.
Agora eu tenho 32 anos e uma porrada de preocupações, o mundo não para e eu não posso parar.
Quem leu muitos dos textos no passado vai ver o início do relacionamento com a Juliana que hoje é a minha esposa, há mais de quatro anos já.
Nossa filha, do toque e do sorriso de chama Isabela, vai fazer um ano dentro de poucos dias.
É impossível de explicar o que eu sinto por essas duas mulheres.
Elas são meu alicerce no melhor sentido que essa palavra pode trazer, ou em todos.
Eu sou muito feliz.
Tenho um projeto de voltar a escrever aqui, além das minhas histórias agora as histórias da Bela e a sua super mãe.
Volto logo.





sexta-feira, 22 de maio de 2015

O Era Rei




Noventa e nove por cento de cem
Sentado na cabeça de um gigante que morreu
Eu não sei se ele era deus ou um des aparecido
Pelo jeito eu não ligo, nunca liguei
O que eu jamais saberia é que eu jamais saberei
Se era um rei, eu não sei, já está morto
O seu trono de ferro se entregou ao ego
E seu ego de ferro tornou ao pó
Retornou ao nó que prendia a minha garganta
E ao manto sagrado que cobria o seu ombro cansado.
Eu dediquei mil noites de pranto calado
Ao que tenho me dedicado o futuro chega e me tromba
Zomba do que é real e me nutre de mal
Agora o real é o um por cento de cem que sobre vive
Sobre por cima da cisma que me mantém
O trono sucumbiu
O rei morreu e sumiu
Pelo jeito eu não ligo, nunca liguei
Mas se eu sempre fiz parte disso ou daquilo eu já não sei.


sábado, 20 de setembro de 2014

Desintegração de Posse



A trilha sonora é tiro. Correria, gás
Lacrimogênio invadindo o pulmão.
Humanos correm, das máquinas
Insanas buscam punir, oprimir com a bala e a borracha
Nas costas de quem veio pra ficar
Ficar e lutar por
Um espaço, espacinho
Cobertor e colchão na cabeça, correria
Fumaça onde há fogo
Dor onde há lágrimas
Sonhos onde havia esperança, esperar
O capital bate na porta de quem não o tem
De quem não tem sequer porta
que se fecha em cortinas
que se fecha em barreiras e barricadas
que se fecha em trincheiras às margens
O giroflex mostra quem manda
a farda suja de vergonha
quem achou que detém o poder
que venceu mais uma batalha
Desnorteia a geração futura de um não-futuro
um não-homem que vive pelo minuto seguinte
enquanto uns dormem outros sonham
sonho de humanidade liberta
das correntes que a prendem.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Palestra Itália



Meu pai me ensinou que maior não haveria
E eu o aprendi bem
Divino, santo, quem teria?
Quem diria que dentre homens e divindades
Pisariam na terra, com camisas e corações verdes.
Brasileiros, Italianos, miscigenando raças, culturas e lágrimas
Muitas de tristeza viriam, rolariam aos montes
Não é fácil ser Palmeirense
Mas seria tão lindo se não fosse tão difícil?
Acredito que jamais.
As glórias também rolaram aos montes
Nós pés do divino, a bola desfilava imponente
Sempre desafiava um tal rei Pelé, os embates eram emocionantes e o futebol tupiniquim se orgulhava daqueles momentos, academia contra majestade, viva o futebol.
Você é gigante, Palestra!
Com seus milhões de amores espalhados pelo país, todos os gritos de vitória entoados, ecoados aos montes, sim aos montes, lágrimas rolaram aos montes.
Você nasceu nos porões das fábricas, no espírito dos trabalhadores, onde sujos e cansados do trabalho, viviam pela família, e por ti, Palmeiras.
Você que sim, nasceu campeão, em sua arrancada história, em plena guerra, para viver mais uma batalha.
 A batalha do ódio e do preconceito, e você sobreviveu, Palmeiras.
Hoje você faz 100 anos, Palmeiras.
As lágrimas rolaram aos montes, porque vieram do céu inundar a terra de alegria.
Você é um gigante Palestra, nasceu campeão, nasceu do poder do trabalhador para brilhar na história.
Parabéns e Avanti Palestra!
Seu lugar é na história.


sexta-feira, 18 de julho de 2014

Degraus

Eu viveria pra sempre se me fosse permitido, só pra te olhar dia após dia, com os olhos fitos no infinito.
Já não vejo o início das escadas, nem me lembro do dia em que me pus a subir, apenas me recordo da imensidão que avisto em cada degrau que piso, sempre um novo sol e um novo céu, azul de dia, vermelho ao entardecer. As noites são azuladas, jamais escuras porque seu olhar me ilumina, e os degraus são vencidos, um a um eles vão ao chão, futuro, presente e passou, mais um que se foi.
Viver pra sempre é bom, e se faz sentido, melhor. Porque pra sempre só devem ser as coisas boas da vida, as más deveriam ficar sempre esquecidas no degrau que se passou, porém nem sempre isso acontece. E um tropeço, buum. Vou ao chão e aos olhares. Ahh os olhares que se movem mais rapidamente que a luz, do dia ou da noite, me iluminam, meio tonto me levanto sem levantar minha fronte, olho pra frente e, se a poeira já sacudi, sigo caminhando rumo ao primeiro degrau, ao primeiro de minha frente, claro, porque não acho que se deve mirar no último. Nele mora o final e ponto. Prefiro a vasta oportunidade que o próximo me proporciona, com essa certeza eu sigo, e ouço a sua voz me chamando. Continuo subindo.