terça-feira, 12 de novembro de 2024

É apenas uma gota



É só uma gota, num oceano de se sabe lá porque

ela escorre pelo rosto ou ela fica

fica presa insistindo em ser apenas uma gota

uma que não cai, que não espera, que fica ali

aqui é apenas uma gota, só uma e

é imensa

pesa mais que meia tonelada se sabe lá do quê

mas ela ainda é uma gota, sabe?

clara e salgada, como já disseram.

se disseram bem eu não sei, mas

ela pesa, se se pesa ela tem muito peso

pode ser tanto nas costas como na alma

é a companhia que escolhe

ela é vazia e preenche,

ela é verdade e não mente

ela é vontade e enchente

porque ela pesa e as vezes pesa demais

pesa tanto que, se se pesa, ela pesa muito.

se ela vai ficar, não vai cair, fica ali esperando e apenas.

Notável companhia e esse oceano é infinito.


sexta-feira, 26 de agosto de 2022

Voltei pra dizer

Voltei pra dizer que
Embora os anos passem 
A cada dia
Mais rápido e menos
Tempo teríamos
Elas estão aqui
Pessoas que vivem e vivem, enquanto
Eu
Admiro a beleza e o luar 
das suas primeiras e primaveras
Tu
Que anda por aí incerta, as vezes
Tem certeza da vida
Ele
Já não está mais aqui ao lado, nem perto. Um sopro, deitou e sorriu.
Nós
Sabemos que
A vida não se vai a toa.
Vós
Sabeis que a certeza sempre é incerta, não?
Já que 
Eles
Não podem voar, ou nos ver ou vacilar.
No mais
Ir embora é o que quereis?
Não, vive! 
Já que a vida aí está, viva!







segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Ainda no caminho

Escrevia algumas linhas tortas e
lançava pelo caminho da
ilusão na qual se metia
Infundado em vãs teorias sobre
um futuro esquecido
 sempre buscou algo que possa ter a
luz do orvalho de um
amanhecer incontido
Solitário foi o vento que
batia em telhados feito
gotas cristalinas
era firme e cinzento seu espírito
lamentava escritas alegres aos cantos em
lugares conhecidos jamais vistos
Levantou-se a fronte e se moveu em direção ao
passado que libertaria
sua mente cativa das entranhas
do seco oceano
salvo engano havia uma calma
tempestade rodeando o centro das
expectativas que não se esperam
mas confia em sua força de
deixar acumular incertezas a respeito de coisas que
não sabe e no momento
resta não saber.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Algo sobre a vida

Um toque, sem choro e sem muitas surpresas
Porque era esperado aquele toque
Aquelas mãos
Hoje esse sorriso
Uma vida
É uma descoberta, com certeza
Não existe manual pra ser pai
Não tem como explicar também.
Por muito tempo eu escrevi nesse espaço, coisas que sentia e acredito e além disso tudo, queria colocar pra fora de alguma forma.
Agora eu tenho 32 anos e uma porrada de preocupações, o mundo não para e eu não posso parar.
Quem leu muitos dos textos no passado vai ver o início do relacionamento com a Juliana que hoje é a minha esposa, há mais de quatro anos já.
Nossa filha, do toque e do sorriso de chama Isabela, vai fazer um ano dentro de poucos dias.
É impossível de explicar o que eu sinto por essas duas mulheres.
Elas são meu alicerce no melhor sentido que essa palavra pode trazer, ou em todos.
Eu sou muito feliz.
Tenho um projeto de voltar a escrever aqui, além das minhas histórias agora as histórias da Bela e a sua super mãe.
Volto logo.





sexta-feira, 22 de maio de 2015

O Era Rei




Noventa e nove por cento de cem
Sentado na cabeça de um gigante que morreu
Eu não sei se ele era deus ou um des aparecido
Pelo jeito eu não ligo, nunca liguei
O que eu jamais saberia é que eu jamais saberei
Se era um rei, eu não sei, já está morto
O seu trono de ferro se entregou ao ego
E seu ego de ferro tornou ao pó
Retornou ao nó que prendia a minha garganta
E ao manto sagrado que cobria o seu ombro cansado.
Eu dediquei mil noites de pranto calado
Ao que tenho me dedicado o futuro chega e me tromba
Zomba do que é real e me nutre de mal
Agora o real é o um por cento de cem que sobre vive
Sobre por cima da cisma que me mantém
O trono sucumbiu
O rei morreu e sumiu
Pelo jeito eu não ligo, nunca liguei
Mas se eu sempre fiz parte disso ou daquilo eu já não sei.


sábado, 20 de setembro de 2014

Desintegração de Posse



A trilha sonora é tiro. Correria, gás
Lacrimogênio invadindo o pulmão.
Humanos correm, das máquinas
Insanas buscam punir, oprimir com a bala e a borracha
Nas costas de quem veio pra ficar
Ficar e lutar por
Um espaço, espacinho
Cobertor e colchão na cabeça, correria
Fumaça onde há fogo
Dor onde há lágrimas
Sonhos onde havia esperança, esperar
O capital bate na porta de quem não o tem
De quem não tem sequer porta
que se fecha em cortinas
que se fecha em barreiras e barricadas
que se fecha em trincheiras às margens
O giroflex mostra quem manda
a farda suja de vergonha
quem achou que detém o poder
que venceu mais uma batalha
Desnorteia a geração futura de um não-futuro
um não-homem que vive pelo minuto seguinte
enquanto uns dormem outros sonham
sonho de humanidade liberta
das correntes que a prendem.